Diversão e arte

Diversão e arte

Maria Cecília estava contente por ter vindo. Fazia tanto tempo que não se divertia tanto. Kiko Nunes tinha se mostrado tão gentil e simples que varrera da memória a imagem virtual que tinha dele. Ele tinha ferido seu orgulho oferecendo-se para pagar as despesas mas, agora, estava satisfeita por isso. Apenas angelsvc a aborrecera um pouco com seu patricismo. Era bom consumir, ter roupas bonitas e poder curtir as noites, mas isso não deveria ser um objetivo de vida. Ela sossegara um pouco desde que passara a fazer companhia para o desajeitado sexnow. Até formavam um belo par.

O único incômodo que sentia era o olhar de julius_k que recaía constantemente sobre ela. Sentia-se perseguida por ele, analisada, esmiuçada. Era bom ser admirada por homens mas sem essa insistência. Será que eles não sabiam disso? Ele era bonito, tinha porte, charme, deveria ter um bom padrão de vida, talvez fosse muito inteligente, mas era mais velho que ela e isso suprimia qualquer qualidade que pudesse ter. Não queria aventuras. Queria estabilidade. Ela queria viver. Não queria arrastar-se pela vida. Ligar-se a alguém mais experiente poderia dar-lhe um caminho seguro mas seria perpetuamente dependente dessa vivência. Jamais descobririam juntos a vida, pois ele já a tinha desvendado em grande parte e não a deixaria descobrir seus próprios caminhos. Sempre teria que ouvir a "voz da experiência" toda vez que quisesse fazer algo diferente. Também não havia nenhuma química, nada que fizesse com que a proximidade das peles fosse tempestuosa e insana.

O cheiro das águas, das plantas, o sol forçando passagem refletindo-se nas folhas, iluminando a terra, produziam uma sensação de alegria em seu peito. Seria bom se pudesse viver sempre com esse sentimento que nos faz esquecer nossa pequenez de humanos. Ela queria viver. Não queria arrastar-se pela vida.

Dizem que os índios da tribo sioux quando iam para a batalha ou quando estavam velhos demais e se retiravam para morrer em paz, diziam que aquele dia era um bom dia para morrer. Com essa frase, eles procuravam despojar-se do medo natural que temos da morte, tentando encontrar a serenidade.

Talvez hoje fosse um bom dia para morrer, mas talvez fosse um dia muito melhor para viver. O importante é que a cada instante possamos jogar para fora todas os nossos medos, todas as nossas vaidades, todos os nossos preconceitos e tudo aquilo que possa impedir que o dia seja grandioso, tanto para morrer como para viver.

Ter medo da morte é natural, mas o medo da vida é mais constante. Temos medo de procurarmos aquilo que precisamos porque achamos que o que temos é suficiente. Temos medo da noite porque achamos que não podemos enxergar no escuro. Temos medo das alturas porque achamos que podemos cair.

Nada é mais importante que a vida e ela tem que ser sorvida a cada momento, a cada instante. A vida tem que penetrar pelas nossas narinas como o ar. A vida tem que circular dentro de nós junto com nosso sangue. A vida tem que fluir dentro de nós como nossos pensamentos. A vida tem que ser distribuída aos nossos, como distribuímos nossa alma.

Ficou estática quando viu kiko_nunes sendo abaixado, inconsciente.