sexnow

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Rodrigo estava embarafustado em uma série de imagens que não conseguia classificar. Se antes sua vida era reclusa, agora não tinha a menor privacidade. As pessoas vinham de lugares inimaginados para falar com ele. Todos vinham pedir ajuda, embora alguns a quisessem obter através de ameaças ou surpresas de disparar corações. Tinham formas distintas, sendo que alguns traziam as marcas dos acontecimentos, enquanto outros pareciam adquirir o corpo do que tinham sido em melhores tempos. Mais raro era alguém mostrar-se em formatos antropomórficos ou de entidades imaginárias. Esses eram facilmente relacionáveis com lendas e histórias fantásticas que ponteavam o mundo com traços comuns. O ser humano tem um caminho tão longo a percorrer em tantos mundos distintos e sexnow conseguia somente visualizar dois deles.

Nas primeiras vezes tinha sido extremamente perturbador, quando não assustador. Ainda não sabia que era um imã que atraía aqueles que tinham se deslocado para outro universo paralelo ao seu. Confundira-os com alucinações. Quando ainda não sabia distinguir claramente aqueles que faziam parte de seu mundo, levara sustos ou dialogara com seres que outros não podiam ver. Devia parecer um completo louco ao olhos dos demais, falando como se estivesse sozinho e gesticulando ao nada. Agora já aprendera a distinguir a qual dos mundos pertenciam aqueles que ele via. Alguns tinham marcas claras como uma diafanidade ou formas estranhas, outros, quase tangíveis, distinguia-os pela aparência imutável, sem brilhos na pele. Alguns eram diretos, com pedidos claros, outros revoluteavam-se nas palavras ou ações até que ele descobrisse por si qual a finalidade de sua presença.

Ainda assim, não sabia como proceder em relação a eles. Não tinha como mante-los afastados ou inibir sua presença. Eles simplesmente viam, rodeavam-no, iam-se e voltavam quando queriam. Os motivos que eles tinham para estar junto a ele eram expostos mas ele não podia fazer quase nada. Quando atendera alguns pedidos, alguns se foram, mas logo foram substituídos por outros. Percebia em si a incapacidade de lidar com a situação, além do fato de que não queria ser nenhum ponto de encontro entre mundos distintos. Ele tinha o seu e ainda não aprendera a lidar com o próprio. Como poderia imiscuir-se em assuntos sobre os quais não tinha o menor conhecimento? Ainda se encontrava em uma fase de vida em que não tinha autonomia sobre si, lidando com situações novas e procurando espaços dentro de uma sociedade estranha para sua personalidade, que não o aceitava da forma como era e, para a qual tentava mudar-se, adaptando-se aos padrões dos outros.

Se não aprendera a conviver com seus semelhantes não conseguiria entender aqueles que lhes eram estranhos. Tentaria novamente entrar em contato com julius_k ou kiko_nunes, para que retirassem dele aquilo que não lhe pertencia.