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Novos gladiadores, antigos espectadores
Uma das atividades dos gladiadores era divertir o povo. Podiam ter como recompensa sua vida, sua liberdade, até uma certa fortuna. Mais comum era encontrarem a morte, a invalidez ou continuarem escravos.
Sua principal função era canalizar as energias reprimidas do povo para fatos que não contrariassem a ordem reinante. Fica muito mais fácil reinar quando um povo é estimulado a não participar de governos.
Hoje também temos nossos gladiadores: pessoas que encerram-se em casas ou mansões, visando promoção ou sorte grande; esportistas e artistas que reúnem mais multidões que protestos efetivos contra a miséria; anônimos que valem-se de artifícios para terem seus nomes e rostos veiculados pela mídia; tantos outros que estenderiam uma lista alem do suportável de uma leitura.
Os espectadores ainda continuam os mesmos: massa querendo ver sangue ou intrigas, fofocas pagas por pessoas que desejam permanecer nas capas de revistas, modismos carregados de nulidade.
Todos tem direito à diversão mas jamais à alienação. O lazer tem tanta importância quanto os demais itens que compõem nossa vida, mas ele não pode se transformar em uma eterna dissociação daquilo que realmente importa.
Talvez essa seja a hora de fazermos arenas das ruas e transformar-nos em soldados e guerreiros, que lutam pela paz e universalidade. Talvez essa seja a hora de deixarmos de soltar pombas brancas e lutarmos pela nossa paz. Talvez essa seja a hora de empunharmos nossas armas contra os não-cidadãos. Talvez essa seja a hora de aprendermos que a vida não nos dá nada de graça e que precisamos trabalhar para conseguirmos aquilo que pretendemos.
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