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O
que resta aos excluídos?
O que resta aos pobres senão dentes podres, escolioses precoces, vidas curtas? O que resta aos excluídos senão profetas apocalípticos, demagogos políticos, líderes falsos? O que resta aos que nada tem senão filas intermináveis, esperas cruciantes, esperanças adiadas? O que resta aos miseráveis senão palavras vãs, ditos intermináveis, discursos estafantes? O que resta aos párias senão escolas ignorantes, filosofias impostas, conhecimentos falsos? O que resta aos despojados senão aumentar com o suor riquezas de outros, morrer por outros, viver para outros? O que resta aos desprovidos senão comer mal, beber muito, respirar os pós de seu trabalho? O que resta à maioria senão abaixar cabeças e olhos, dizer todos os sins, engolir todos os nãos? O que resta a quase todos senão viver preso a cadeias alheias, aninhar pares semelhantes, transmitir genes já acorrentados?
Nada
resta, senão esperar que o dia desperte a força, a unidade, as artimanhas de
vencer.
caius_c
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